segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

CuruPAC!

Foi anunciado o PAC - Programa de Aceleração do Crescimento. Eu fico pensando se este não é mais um dos verbetes do vasto dicionário de promessas vazias do presidente Lula. Lembremos que Lula já prometeu o espetáculo do crescimento, o fome zero, já disse que a saúde beira a perfeição entre outras milhares de falas sem sentido de um presidente que fala discursa demais e governa de menos.

Diferentemente de alguns outros políticos cujas promessas - ainda que pareçam muitos sérias - não me dão a menor inclinação para a fé, Lula, apesar de ser um contumaz falastrão, sempre me inspirou um ar de confiança muito leve, quase inócuo, mas sempre é alguma coisa. Resta torcer para que desta vez Lula esteja realmente disposto a trabalhar seriamente para promover o crescimento do país.

Planos econômicos nunca foram o nosso forte, convenhamos. Podem ter tido algum êxito a princípio, mas a longo prazo nos deram uma ressaca pesada em forma de endividamento público, concentração de renda e corrupção. Esse roteiro desastroso que os plano econômicos parecem tomar no Brasil se explica em parte pela falta de comprometimento político, falta de planejamento, falta de fiscalização e, especialmente, gerenciamento ineficiente da execução do plano.

Que não faltem essas lições de história a equipe do presidente Lula.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

EU constitution 'is still alive'



Ministers from 17 European Union countries are due to meet in the Spanish capital, Madrid, hoping to keep alive the idea of an EU constitution.


The 17 countries have approved the constitution, and want it to come into force with as few changes as possible.

The proposals were rejected by voters in France and the Netherlands in 2005.

Germany, which is currently leading EU efforts to revive the constitution, regards the meeting as unhelpful, and is only sending an observer.

Germany did back the constitution in a parliamentary vote, but its leaders are concerned that the meeting could alienate France and the Netherlands, as well as the seven other countries that have put ratification on hold.

The countries sending ministers to the meeting are: Austria, Belgium, Bulgaria, Cyprus, Estonia, Finland, Greece, Hungary, Italy, Latvia, Lithuania, Luxembourg, Malta, Romania, Slovakia, Slovenia and Spain.

Observers from Ireland and Portugal, which have not yet ratified the constitution, are also expected to attend.

'One voice'

The Europe Ministers of Spain and Luxembourg, who organised the conference, say the countries that have approved the constitution - with a combined population of more than 270 million - want their voice to be heard.

In a joint article published in a number of European newspapers, Spain's Alberto Navarro and Luxembourg's Nicolas Schmit say that in today's globalised world "a united and capable Europe is more necessary than ever".

"We cannot resign ourselves to Europe being no more than a huge market or a free trade area," they write.

"We want a political Europe that can speak with one voice, and with one minister of foreign affairs and a common foreign service."

They also back the draft constitution's shift towards more qualified majority voting, and the inclusion in the text of the Charter of Fundamental Rights.

In an interview with Reuters news agency, Mr Schmit said the meeting would send a message that the constitution was not dead.

"It is a positive action aimed to remind people that Europe needs profound reform and that at this stage the best reforms on which agreement has been reached are those found in the constitutional treaty," he said.

'Crazy timing'

German Chancellor Angela Merkel has warned that it would be a "historic mistake" not to complete institutional reforms of the kind envisaged in the constitution by 2009.

But even supporters of the constitution have questioned the usefulness of the Madrid meeting.

The leader of British Liberal Democrats in the European Parliament, Andrew Duff, a prominent supporter of the constitution, said there was serious risk of dividing the union.

"The only way this crisis can be solved is if all member states arrive at a common position informed by a debate involving all of them," he said.

Timothy Kirkhope, leader of UK Conservative MEPs, said holding the meeting now was crazy timing.

"It raises false expectations for those who want a constitution and unnecessary fears for those that share the conservative view that Europe doesn't need a constitution," he said.


Fonte: BBC News

Calvin & Haroldo

Tradução

Calvin: Você viu o filme na TV ontem, à noite?
Haroldo: Não.

Calvin: Você viu o jogo, então?
Haroldo: Não.

Calvin: Você viu alguma coisa na TV ontem a noite?
Haroldo: Não.

Calvin: Então o que você viu?

O que é o Fórum Econômico de Davos

Todos os anos, no final de janeiro, os principais líderes do setor privado mundial viajam para a cidade de Davos, nos alpes suíços, para participar do Fórum Econômico Mundial.

O que é o Fórum Econômico Mundial?

O Fórum Econômico de Davos foi criado para “contribuir na solução dos problemas da nossa época”. O principal evento do Fórum é a reunião anual, que ocorre entre os dias 24 e 28 de janeiro.

Durante cinco dias de palestras, os presidentes das principais empresas do mundo recebem políticos, artistas, acadêmicos, líderes religiosos, sindicalistas e ativistas de diversas organizações não-governamentais.

O evento serve basicamente para que os líderes mundiais ampliem suas redes de contatos. Além da reunião principal na Suíça, há encontros ao longo do ano em Catar, Chile, Rússia e China.

Sobre o que eles conversam?

Este ano, o grande tema da reunião é “Mudanças na Equação do Poder”.

Os 2,4 mil participantes, de 90 países, vão debater mudanças climáticas, terrorismo, tensões no Oriente Médio e na Península da Coréia, globalização, desemprego, crescimento econômico dos gigantes asiáticos, inovações tecnológicas e a nova revolução da internet, entre outros temas.

Com tantos poderosos reunidos, eles não estão, na prática, tentando dividir o mundo entre si?

Davos atrai muitas teorias da conspiração, mas o evento não tem passado de um grande encontro de conversas informais.

Há encontros a portas fechadas e acordos importantes, como a reabertura do processo de paz entre Israel e a Autoridade Palestina, negociado em Davos por Shimon Peres e Yasser Arafat em 1994.

Neste ano, a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, vai se encontrar com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, para falar sobre o Oriente Médio.

Além disso, 30 ministros de Indústria e Comércio (entre eles o brasileiro Luiz Fernando Furlan) vão discutir um novo calendário para retomada da Rodada de Doha, as negociações comerciais globais.

Quem são as pessoas famosas que vão a Davos?

Empresários como Bill Gates e Michael Dell, além de diretores de gigantes do mundo corporativo, como Google, British Petroleum, Coca-Cola, Intel e Volkswagen, estarão presente em Davos.

Nos últimos anos, os organizadores têm reduzido os convites feitos a chefes de Estado, para manter o caráter econômico e privado do evento.

Neste ano, 24 chefes de Estado participarão do Fórum, entre eles o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e o presidente africano, Thabo Mbeki.

O que mais chama atenção neste ano é a ausência de artistas famosos, como Angelina Jolie, Brad Pitt e Richard Gere, que estiveram presentes em 2006.

Críticos do evento dizem que ele só serve para aumentar a globalização. Isso é verdade?

Este é um dos pontos mais polêmicos do Fórum. O evento tem sido alvo de manifestações antiglobalização. Os organizadores, no entanto, dizem que o Fórum serve apenas para “melhorar o estado do mundo”.

Davos também tem um rival: o Fórum Social Mundial, que neste ano está sendo realizado em Nairóbi, no Quênia.

Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Menino dos Pontos de Ibope de Ouro

“Sou um homem. Nada que é humano me é indiferente” (Terêncio, autor latino)

Como tantos, também vi "Falcão - Meninos do Tráfico". Como tantos, senti desconforto diante daquela realidade mostrada, escancarada (embora sabida) ao Brasil em horário dito nobre. Mas não quero falar propriamente disso, seria demasiado óbvio da minha parte dizer que isso é um absurdo, uma coisa tenebrosa, etc, etc. É claro que é, mas quero comentar outro aspecto do que aconteceu.

Muito louvável a iniciativa (?) da Rede Globo de exibir em um programa de grande audiência (Fantástico) esse importante documentário. Muito louvável e natural e saudável o debate que se seguiu ao documentário durante a semana. Mas no domingo seguinte ao da apresentação... ah, Deus! A Globo perdeu todos os pontos que poderia ter ganhado comigo - não que isso lhe dê cuidados, evidentemente.

Descontente em ganhar prestígio e audiência, a Globo quis ganhar mais dinheiro encima desses meninos tão sofridos por meio da prolongação comercializada do tema. A velha abordagem demagoga de "salvamos um desgraçado" voltou à tona com o Domingão do Faustão mostrando o único sobrevivente dentre os meninos que participaram do documentário. Esse tipo de quadro não criação nem exclusividade da Globo: Gugu com o seu "De volta a minha terra"; Netinho com "Um dia de princesa", enfim, mais ou menos famosos, mais ou menos apelativos, há para todos os estômagos.

Que cenas espetacularmente hipócritas foram mostradas domingo passado. Sei que teve muita gente de bom coração que se emocionou ao ver todos aqueles relatos, todas aquelas lágrimas, toda aquela carga de emoção dos gestos, dos "eu me importo". Pode parecer infâmia criticar isso, mas quero demonstrar que não é infame e, sim, necessário repudiar esse tipo de quadro e esse tipo de programa.

De onde nascem os meninos do tráfico? Da pobreza? Da exclusão social? Do desemprego? Da insegurança? Sim, claro que sim, mas, em uma análise mais acurada, há muito mais do que isso. Os meninos do tráfico nascem dos lucros bilionários que as instituições financeiras obtêm ano após ano, os meninos do tráfico vêm dos bilhões de dólares pagos anualmente pelo governo brasileiro e vêm do pouco dinheiro que sobra para a cultura, a educação, o esporte e o lazer. Não só eles, mas também é desse ventre podre que vêm a prostituta, o trombadinha, o analfabeto, o velho doente na fila do hospital. Esse submundo, essa subgente nasce de cada "não vou responder" de Duda Mendonça, de cada rebolada de Angela Guadagnin, de cada habeas-corpus do Supremo, do joguete escuso feito por essas super-hiper-ultra-mega-transnacionais. E é justamente neste ponto que reside toda a hipocrisia desses quadros "salvamos um desgraçado". A hipocrisia reside aí porque a cada um que eles "salvam", um mil eles criam. É como um madeireiro fazer auto-promoção por reflorestar 1 km² da Floresta Amazônica, isso é hipócrita porque ele devasta outros tantos milhões.

Que circo patético ver aquele desembargador destilar bobagens de cidadão preocupado quando a sua classe faz greve (greve do Judiciário!!!) para manter o "direito adquirido" ao nepotismo. Que circo de horrores ver artistas, celebridades se indignarem com tanto fervor com a pobreza e a miséria e o des-destino daquele garoto enquanto sofrem do empanzinamento do banquete passado. Circo, por sinal, é o que o menino disse sempre ter sonhado ver. Verá. O todo-bondoso Beto Carreiro vai dar um bilhete para um mundo de fantasia - enquanto faz um comercial de seu estabelecimento, já que ninguém é de ferro.

Nessa relação dialética que nós brasileiros temos com a Rede Globo, a qual devemos grandes feitos artísticos e jornalísticos e episódios de vergonhosa demagogia e parcialismo e manipulação despótica da opinião pública nacional, assistimos a mais uma lição de brasilidade: o pacotão de bondades dado pela elite econômica e política a um pobre menino do tráfico (que continuará menino do tráfico) para, assim, aliviar o peso de sua consciência, o peso da consciência de saber que o subproduto da sua ganância pelo lucro e pelo poder são gerações (lotes?) de meninos do tráfico.

Os chips, as potrancas e a Globo

"Diga-me a sua opinião e direi quem pensa por você" (Werner Mitsch)

Toda quarta-feira tem discussão. Toda santa quart-feira, quando temos aula de Auditoria de Sistemas, o assunto toma um ou outro atalho e acaba em debates acalorados. Não são brigas, são debates acalorados. A discussão preferida é sobre os limites do avanço da tecnologia.

Eu me lembro de uma certa vez em que alguém falou sobre a implantação de chips em seres humanos. Bom, geralmente, essas discussões em sala começam sempre assim: "Eu li, não me lembro onde...", "Eu vi, acho que foi no Fantástico", "Eu recebi um e-mail sobre...", por fim, muitas vezes as histórias, os exemplos são mirabolantes e não têm fonte conhecida, portanto sempre há que se suspeitar. Mas, eu juro que alguém falou sobre isso, não me lembro quem nem quando. Mas falaram sobre a implantação de chips em seres humanos.

Os chips conteriam várias informações sobre o indivíduo, substituiria todos aqueles documentos (RG, CPF, CNH, Cartões de Crédito, de Débito, etc.), o chip permitiria que fôssemos ao supermercado, pegássemos nossas coisas e saíssemos sem ter que passar pelo caixa: ao passar pela porta do supermercado, um sistema de etiquetas inteligentes contabilizaria o total da compra e debitaria automaticamente na nossa conta através do danadinho do chip. "Eu li, não me lembro onde...", mas parece que isso já existe.

Eu não quero ser um retrógrado. Nunca quis. Mas nós vivemos numa época e numa sociedade que banalizou de tal forma o ser humano que está sendo tirado de nós o direito de resistir. Hoje, não somos mais seres humanos, somos consumidores. Que fique claro que não sou socialista, mas o capitalismo não me convenceu.

Vejam o Brasil. As meninas dançam funk. Ora, que mal há nisso? Não, aparentemente não há nenhum mal nisso. "É só um tipo de música. Você pode gostar ou não, mas é só uma música. Ah, por favor, deixa de ser chato, de ser velho. Até a Raíssa dança funk. Isso é preconceito com o morro". As pessoas parecem que perderam o senso crítico. As garotas rebolam pra lá e pra cá feito umas lagartixas seminuas e nem ouvem que estão sendo chamadas de "cachorra", de "galinha", de "pulguenta", "potranca"... é de colocar a Arca de Noé no chinelo. Elas rebolam pela apologia ao machismo. Mas eu nem vou entrar nesse tema de novo, porque se não vão me chamar de feminista.

O que mais me entristece é ver milhões e milhões de pessoas sem opinião própria, por mais absurda ou retrógrada que sejam. Não, as pessoas repetem o que o Faustão fala, o que o Clodovil pensa, o que a mocinha da novela fez, o que a Tati Quebra Barraco canta, enfim, geralmente o que a Globo predicou.

Nada contra a Globo. Eu assisto à Globo. Mas as pessoas precisam ter discernimento. Ver e criticar. Temos que deixar de ser só receptores e passar a ser produtores de conhecimento.

Mas o que as potrancas e a Globo têm a ver com os chips? Ora, com esse tipo de gente, é muito fácil vender chips para humanos. Não é maravilhoso não ter que carregar aquele monte de documentos? Não é paradisíaco entrar no Extra e sair sem ter que perder tempo no caixa? É, mas tudo tem que ser dissecado pelo pensamento crítico, tudo.

Imaginem vocês, que belo rebanho de ovelhinhas indo pra lá e pra cá e sendo rastreadas... aliás, rastreadas por quem? Sim, porque se vai haver um chip tão engenhoso, tão poderoso, alguém tem que controlar. Alguém vai ME controlar. Quem? Não sei. Os satélites são quase todos norte-americanos. Parece um pensamento paranóico, conspiratório, mas a idéia de colocarem um sino de vaca eletrônico e intracutâneo em mim não me parece menos paranóica.

São várias as questões, clonagem, morte induzida, aborto, união civil gay, enfim, temas sérios, dos quais não podemos escapar e que não podemos avaliar pela visão fácil, fast-food e comercial da mídia e nem pelos olhos míopes, para não dizer cegos, e excessivamente estáticos da religião. Temos que pensar essas coisas de maneira séria, profunda e demorada, talvez não demorada, mas sem pressa e com objetividade.

E deve ser garantido às pessoas o direito de resistir, de dizer "não, senhor vendedor de facilidades tecnológicas, não quero isso", "mas vai melhorar a sua vida, é hiper moderno", "sim, mas eu pensei bem e não quero". Podemos errar ou acertar. Só não podemos tomar decisões se baseando apenas pela opinião da Globo ou de uma igreja. Criticar é preciso, ruminar em frente a televisão não é preciso.

O "Não" e os Brucutus

"Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida." (Clarice Lispector)

O debate sobre o Referendo pela proibição da venda de armas de fogo e munição no Brasil realmente tomou conta do país, ao menos é o que se conclui da tsunami de charges, piadas, estatísticas, artigos e apresentações de slides que têm alagado as caixas de entrada de todos.

Eu voto sim. Não movido pelos apelos da Fernanda Montenegro ou do Chico Buarque; sem dúvida que são pessoas inteligentes e que o simples fato de conhecer seu posicionamento tem algum peso sobre a decisão das pessoas. Não guiado por um sentimento mezzo hippie, mezzo mussarela. Voto sim porque eu acredito que a proibição é o primeiro passo para se chegar a um Brasil com mais paz. Voto sim porque não gosto da estupidez das armas, mais: não gosto da estupidez das pessoas que usam armas.

Todos sabemos que o Brasil é um país machista, esse Referendo mostra que além de machista o Brasil é um país de pessoas truculentas. Mas, eu não digo isso como quem critica - digo como quem entende. Entendo que em uma época de extremos a massa tende a tomar atitudes extremas. O resultado disso é quase sempre lágrimas, perdas e arrependimento. Foi isso que aconteceu na Alemanha de Hitler - um povo massacrado e humilhado pela 1ª Guerra que entregou seu destino incondicionalmente nas mãos de um sádico. Foi assim que se comportaram os camponeses na Revolução Francesa - destruídos pela fome, sufocados pela exploração da nobreza e do alto clero, frustrados nos seus sonhos de liberdade, igualdade e fraternidade, foram buscar esse sonho às custas de sangue, assassinatos e execuções.

O Brasil vive um momento desses. Hoje, nos estúdios da Rádio USP, um estudante de jornalismo assassinou seu colega com uma faca de cozinha. Há dois anos, uma jovem de classe média alta assassinou os pais, ajudada pelo namorado e um amigo dele. Há alguns meses, uma família foi brutalmente assassinada por conhecidos que queriam roubar o dinheiro de dois jovens haviam ganhado com seus trabalhos no Japão. A lista é interminável. A brutalidade, a irracionalidade, a falta de motivos, a frieza, o animalesco dos crimes.

Nesse contexto, surgem opiniões-brucutus como "eu acho que tem pegar esses capangas e meter bala", "esses Direitos Humanos só aparecem pra proteger bandido", "tem que botar pena de morte pra esses canalhas", "eu acho que tem tratar esses caras a pão e água". Fica difícil se posicionar contra argumentos-brucutus como esses. Chamo de argumentos-brucutus não para ridicularizar, mas porque eles não se baseiam na razão. Eles apelam para o sentimento humano da indignação, da vingança que atinge todos nós ao saber de crimes hediondos. Opiniões-brucutus nos induzem a fazer justiça com as próprias mãos, a praticar o olho por olho.

Mesmo assim, devemos manter a esperança de construir um país melhor nos limites da lei, da democracia, do respeito aos Direitos Humanos. Afinal, não é com gritos que se consegue silêncio, não é com lágrimas que se fica feliz, não é com sombras que se ilumina e não é com truculência que se consegue paz.

Os argumentos-brucutus contrários a isso seriam "você diz isso porque nunca teve um 38 na nuca", "essa baboseira toda é conversa de gente sonhadora, o sujeito só se endireita na linha dura", etc. Outros destilam estatísticas tiradas da cartola, citam fatos históricos totalmente desconexos com o nosso momento. A ideologia-brucutu é algo fácil de se assimilar, fácil de tomar partido. Mas é uma bomba-relógio para as pessoas.

A proibição vai diminuir o número de armas e isso tem um efeito logicamente provável: menos armas, menos tiros, menos atingidos, menos perdas. Ainda que a diminuição seja ínfima, mais vale salvar uma vida que perder um "direito". Intrigante esse direito: portar armas. Eu não sou um jurista, mas arrisco dizer que a nossa Constituição não prevê esse direito, diferentemente do direito incondicional à vida.

Vale lembrar as palavras de Gandhi: "você tem que ser a mudança que você quer ver no mundo", ou seja, quem quer paz tem que ser pacífico.